Pix e tecnologia entram no discurso de Lula na ONU

Agnes Valstrom
Por Agnes Valstrom
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Presidente citou o sistema brasileiro de pagamentos e relacionou tecnologia, soberania digital e atuação de grandes empresas no cenário internacional.

O Pix entrou no discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada em Nova York nesta terça-feira, 22 de setembro. Ao abordar temas relacionados à soberania brasileira, o presidente afirmou que o país não pretende ceder a pressões de multinacionais que, segundo ele, querem privatizar o sistema de pagamentos. Lula também apresentou o Pix como uma infraestrutura pública e gratuita que ampliou o acesso da população aos serviços financeiros. (Poder360)

A referência ao sistema de pagamentos ocorreu dentro de uma fala mais ampla sobre soberania, tecnologia e relações internacionais. No mesmo discurso, Lula tratou de inteligência artificial, plataformas digitais e dos efeitos da transformação tecnológica sobre os países. O tema ganhou espaço em um momento em que governos discutem como estabelecer regras para tecnologias digitais sem interromper o desenvolvimento de novas aplicações.

Pix é apresentado como infraestrutura pública e ferramenta de inclusão financeira

Ao falar sobre o sistema brasileiro de pagamentos, Lula afirmou na ONU que o Brasil não cederia a pressões de multinacionais que, em sua avaliação, pretendem privatizar o Pix. A declaração foi feita diante de representantes dos países-membros da organização e colocou uma tecnologia criada e operada dentro do sistema financeiro brasileiro no contexto de uma discussão internacional sobre soberania. (Poder360)

O presidente também caracterizou o Pix como uma infraestrutura pública e gratuita. A ferramenta permite transferências e pagamentos instantâneos e se tornou parte da rotina financeira de consumidores e empresas no Brasil. No discurso, a utilização do sistema foi relacionada à ampliação do acesso aos serviços financeiros, reforçando a ideia de que infraestruturas digitais podem ter impacto direto sobre a economia e a vida cotidiana.

A fala ocorre enquanto diferentes países discutem o controle de infraestruturas digitais consideradas estratégicas. Sistemas de pagamentos, computação em nuvem, inteligência artificial, armazenamento de dados e redes de comunicação passaram a fazer parte das discussões sobre soberania tecnológica. Nesse cenário, o Pix aparece como um exemplo brasileiro de infraestrutura digital desenvolvida dentro do sistema financeiro nacional.

A discussão também envolve a relação entre Estado, instituições financeiras e empresas de tecnologia. O crescimento dos serviços digitais fez com que plataformas privadas e infraestruturas públicas passassem a ocupar espaços cada vez mais próximos na oferta de serviços financeiros. O debate sobre o Pix, portanto, está inserido em uma discussão maior sobre quem controla e estabelece as regras para tecnologias utilizadas em larga escala.

Inteligência artificial e plataformas digitais também aparecem no debate

Além do Pix, a tecnologia apareceu no discurso de Lula por meio de referências à inteligência artificial e às plataformas digitais. O presidente defendeu a necessidade de discutir regras para o desenvolvimento tecnológico e relacionou o avanço da IA a questões de soberania e governança. A fala ocorreu durante uma assembleia em que a própria ONU colocou os riscos e desafios da inteligência artificial entre os grandes temas internacionais. (TeleSíntese)

A inteligência artificial passou a ocupar espaço crescente nas agendas governamentais porque seu uso alcança áreas como serviços públicos, indústria, segurança, educação, comunicação e finanças. Para os governos, uma das questões centrais é definir como garantir transparência, proteção de direitos e responsabilidade sem impedir o desenvolvimento de novas tecnologias.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, também tratou da IA durante a abertura da assembleia. Ele afirmou que a tecnologia está avançando mais rapidamente do que a capacidade de compreender seus efeitos e defendeu maior responsabilidade, transparência, confiança e cooperação entre governos. (Agência Brasil)

No Brasil, o debate sobre governança digital também avançou em diferentes frentes. O Ministério da Justiça participou recentemente de discussões sobre soberania digital, regulação da internet e proteção de direitos no ambiente digital, enquanto o Comitê Gestor da Internet publicou orientações relacionadas à democracia, eleições e novos riscos associados à inteligência artificial. (Serviços e Informações do Brasil)

Soberania digital ganha espaço nas políticas de tecnologia do Brasil

A discussão sobre o Pix ocorre paralelamente a outras medidas brasileiras voltadas à infraestrutura tecnológica. Em setembro, o governo sancionou o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, conhecido como Redata, criando incentivos para investimentos em centros de dados e estabelecendo contrapartidas relacionadas a pesquisa, desenvolvimento e oferta de capacidade de processamento no mercado nacional. (Serviços e Informações do Brasil)

O programa também foi apresentado pelo governo como parte de uma estratégia de desenvolvimento tecnológico e soberania digital. Entre as áreas relacionadas estão computação em nuvem, inteligência artificial, fábricas inteligentes e Internet das Coisas. A legislação estabelece que empresas beneficiadas devem disponibilizar parte de sua capacidade de processamento, armazenamento e tratamento de dados ao mercado brasileiro, com regras específicas para empreendimentos localizados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. (Serviços e Informações do Brasil)

Outro movimento recente envolve a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. Sancionada em 16 de setembro, a legislação busca estimular pesquisa, extração, beneficiamento e transformação desses recursos no país, relacionando-os ao desenvolvimento econômico, tecnológico e à segurança energética e tecnológica. (Serviços e Informações do Brasil)

Dessa forma, a menção ao Pix na ONU faz parte de um cenário mais amplo em que infraestrutura digital, dados, inteligência artificial e recursos necessários para a produção tecnológica passaram a ser tratados como temas estratégicos. A discussão envolve não apenas pagamentos, mas também a capacidade de um país desenvolver, operar e estabelecer regras para tecnologias essenciais à sua economia.

O discurso de Lula colocou o Pix nesse contexto internacional ao relacioná-lo à soberania brasileira. Já as iniciativas recentes sobre data centers e minerais críticos mostram que o tema tecnológico também está presente em políticas nacionais voltadas à infraestrutura e à indústria. Para empresas e consumidores, essas decisões podem influenciar a evolução dos serviços digitais e das tecnologias disponíveis no país nos próximos anos.

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