A OpenAI e a Administração de Serviços Gerais dos Estados Unidos (GSA) anunciaram, em 10 de setembro de 2026, uma nova etapa do programa OneGov para ampliar o acesso ao ChatGPT no setor público. A iniciativa passa a contemplar, além de órgãos federais, governos estaduais, locais e tribais dos EUA, com condições comerciais voltadas à redução das barreiras de adoção.
O acordo prevê desconto de 50% sobre o uso baseado em consumo, ausência de taxa de acesso à plataforma e nenhum compromisso mínimo de compra. A vigência está prevista para começar em 1º de outubro de 2026 e terminar em 31 de dezembro de 2028, totalizando 27 meses.
Segundo a OpenAI, a oferta também inclui treinamento, suporte à implementação e acesso a ambientes autorizados pelo FedRAMP, programa utilizado pelo governo norte-americano para avaliar a segurança de serviços de tecnologia em nuvem.
Como funcionará a expansão do OneGov
A ampliação pretende permitir que diferentes níveis da administração pública contratem as ferramentas da OpenAI por meio de contratação direta, revendedores e marketplaces de serviços de nuvem. De acordo com a GSA, o acordo foi estruturado para facilitar o acesso de entidades governamentais que antes poderiam enfrentar processos mais complexos ou custos maiores para testar soluções de inteligência artificial.
Na prática, o modelo baseado em consumo permite que os órgãos paguem de acordo com a utilização, sem a exigência de uma compra mínima. A ausência de taxa de acesso e o desconto anunciado podem reduzir o custo inicial de projetos-piloto, embora o gasto final ainda dependa do volume de uso e dos serviços contratados por cada entidade.
A estrutura faz parte do OneGov, iniciativa da GSA voltada à oferta de produtos e serviços de tecnologia para organizações do governo dos Estados Unidos. Informações institucionais sobre o programa estão disponíveis no portal OneGov IT, mantido pelo escritório de gestão de fornecedores de tecnologia da agência.
Aplicações previstas para inteligência artificial
A OpenAI afirma que os órgãos poderão utilizar os modelos em tarefas como pesquisa, análise de documentos, atendimento ao cidadão e apoio a diferentes rotinas administrativas. O uso também pode alcançar áreas públicas que lidam com grandes volumes de informação, como saúde, infraestrutura e serviços de emergência, desde que cada aplicação siga as regras e os controles definidos pela instituição responsável.
Outro eixo do acordo é a cibersegurança. Conforme a empresa, equipes governamentais poderão receber apoio para pesquisar vulnerabilidades, analisar malware, validar exploits e realizar testes de segurança. A proposta é usar os modelos como ferramentas auxiliares para acelerar atividades técnicas, sem substituir os processos de revisão, autorização e supervisão necessários em ambientes críticos.
O foco em segurança digital acompanha a crescente demanda de órgãos públicos por mecanismos capazes de identificar riscos e responder a incidentes com mais rapidez. Ainda assim, o acesso a recursos de inteligência artificial não elimina a necessidade de profissionais especializados, políticas de proteção de dados e controles para impedir que informações sensíveis sejam inseridas ou processadas de maneira inadequada.
Desafios de governança e controle
A expansão do ChatGPT para governos estaduais, locais e tribais não significa que todas essas entidades passarão automaticamente a utilizar a plataforma. Cada órgão deverá avaliar a adequação da tecnologia às suas necessidades, estabelecer regras internas e definir como os resultados produzidos pelos modelos serão revisados antes de influenciar decisões ou serviços públicos.
Também permanecem desafios relacionados à privacidade, à segurança das informações, à transparência e ao controle de gastos. O desconto de 50% reduz o preço anunciado para o consumo, mas não garante, por si só, ganhos de produtividade nem impede o aumento das despesas caso o uso cresça sem acompanhamento. A adoção responsável dependerá de métricas, supervisão humana e processos claros de auditoria.
Com início previsto para outubro de 2026, o acordo posiciona o ChatGPT como uma das ferramentas de inteligência artificial disponíveis para diferentes níveis do governo norte-americano. A iniciativa combina condições comerciais mais acessíveis, suporte técnico e recursos voltados à segurança, mas seus resultados dependerão da forma como cada órgão conduzirá a implantação e o controle da tecnologia.