O sono é um dos pilares mais sensíveis da saúde em pessoas neurodivergentes, especialmente em indivíduos com TEA e TDAH. Segundo Alexandre Costa Pedrosa, logo ao observar a rotina de muitos adultos e crianças neuroatípicos, como aponta a prática clínica contemporânea, fica evidente que dificuldades para iniciar, manter ou aprofundar o sono não são exceção, mas parte recorrente do cotidiano. A privação de descanso adequado impacta diretamente atenção, regulação emocional, memória e qualidade de vida.
Diferentemente do que ocorre na população neurotípica, os distúrbios do sono em TEA e TDAH não se limitam a hábitos inadequados. Eles envolvem fatores neurológicos, sensoriais e comportamentais que exigem estratégias específicas para promover um descanso restaurador.
Por que TEA e TDAH afetam tanto o sono
A relação entre sono e neurodivergência está ligada ao funcionamento do sistema nervoso. Sob a ótica de estudos em neurociência, pessoas com TEA tendem a apresentar alterações no ritmo circadiano e maior sensibilidade a estímulos ambientais, como luz, ruídos e texturas. Conforme Alexandre Costa Pedrosa, isso dificulta o relaxamento necessário para o adormecer.
No TDAH, o desafio costuma estar na hiperatividade mental. Pensamentos acelerados, dificuldade de “desligar” e impulsividade noturna comprometem a transição para o sono. Como avaliam especialistas em comportamento, há também maior prevalência de atrasos no ciclo do sono, fazendo com que o corpo demore mais a reconhecer o momento de descanso.
Além disso, ansiedade associada, uso excessivo de telas e irregularidade de horários intensificam esses quadros, criando um ciclo de cansaço crônico.
Sinais de sono não reparador em neurodivergentes
Identificar quando o sono não está cumprindo sua função é essencial. Entre os sinais mais comuns estão o despertar frequente durante a noite, sensação de cansaço ao acordar e irritabilidade ao longo do dia. Na análise de profissionais da área, também é frequente a dificuldade de concentração matinal e o aumento da sensibilidade emocional.

Em crianças neurodivergentes, o sono inadequado pode se manifestar como agitação extrema, crises de choro ou dificuldade de adaptação escolar. Já em adultos, de acordo com Alexandre Costa Pedrosa, observa-se queda de produtividade, lapsos de memória e maior risco de ansiedade e burnout.
Estratégias práticas para melhorar a qualidade do sono
A melhora do sono em TEA e TDAH passa pela criação de rotinas previsíveis. Como destaca a literatura especializada, horários regulares para dormir e acordar ajudam o cérebro a reconhecer padrões de descanso. Pequenos rituais noturnos, como leitura leve ou música calma, sinalizam ao sistema nervoso que é hora de desacelerar.
O controle sensorial do ambiente é outro fator decisivo. Luzes mais quentes, redução de ruídos e escolha cuidadosa de tecidos e colchões favorecem o conforto. Em muitos casos, o uso de cobertores com peso contribui para sensação de segurança e relaxamento, como reconhece a experiência prática no acompanhamento de pessoas com TEA.
Limitar o uso de telas antes de dormir também é essencial, já que a luz azul interfere na produção de melatonina. Para indivíduos com TDAH, técnicas de descarregamento mental, como anotar pensamentos ou planejar o dia seguinte, ajudam a reduzir a hiperatividade cognitiva.
Quando buscar apoio profissional
Quando as dificuldades persistem, o acompanhamento especializado se torna indispensável. Psicólogos, neurologistas e psiquiatras podem avaliar com precisão os fatores envolvidos. Na visão de equipes multidisciplinares, intervenções personalizadas, e em alguns casos ajustes farmacológicos, são fundamentais para restaurar o equilíbrio do sono, assim como pontua Alexandre Costa Pedrosa.
O sono de qualidade é uma necessidade básica, não um privilégio. Em pessoas com TEA e TDAH, cuidar do descanso significa cuidar da saúde emocional, cognitiva e física. Ao respeitar as particularidades da neurodivergência e adotar estratégias adequadas, é possível transformar noites fragmentadas em um sono mais profundo, consistente e reparador.
Autor: Yulia Sergeeva