A gestão da incerteza é elemento central na engenharia de infraestrutura aplicada a projetos complexos, afirma Elmar Juan Passos Varjão Bomfim.

Engenharia de infraestrutura e gestão da incerteza em projetos complexos segundo Elmar Juan Passos Varjão Bomfim

Yulia Sergeeva
By Yulia Sergeeva
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Elmar Juan Passos Varjão Bomfim avalia que projetos de infraestrutura complexos são marcados menos pela ausência de informação e mais pela convivência permanente com incertezas técnicas, operacionais e contextuais que não podem ser completamente eliminadas. Variáveis geotécnicas, interferências não mapeadas, mudanças regulatórias, condicionantes ambientais e pressões externas tornam o ambiente decisório instável, exigindo da engenharia uma postura que vá além da execução e se concentre na qualificação contínua das decisões ao longo do tempo.

Nesse cenário, a engenharia de infraestrutura passa a atuar como instrumento central de redução de incertezas, não no sentido de suprimi-las, mas de torná-las mensuráveis, controláveis e tecnicamente administráveis. A forma como o projeto é concebido, detalhado e conduzido influencia diretamente a capacidade do empreendimento de absorver imprevistos sem comprometer desempenho, prazo, segurança e previsibilidade operacional em contextos de alta complexidade.

Incerteza técnica como elemento inerente a grandes projetos

Na compreensão de Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, a incerteza técnica não representa falha de planejamento, mas característica inerente a projetos de grande escala e elevada complexidade sistêmica. Ambientes naturais heterogêneos, estruturas enterradas desconhecidas, interfaces entre sistemas e múltiplos agentes envolvidos ampliam o número de variáveis que não podem ser plenamente previstas na fase inicial de concepção.

A engenharia, nesse contexto, precisa reconhecer essas limitações e estruturar soluções que considerem margens de adaptação, redundâncias estratégicas e caminhos alternativos de decisão. Ignorar a existência da incerteza tende a produzir projetos excessivamente rígidos, que funcionam bem apenas em cenários ideais e se tornam vulneráveis diante de qualquer desvio da condição originalmente prevista.

Projeto técnico como mecanismo de antecipação de cenários

Elmar Juan Passos Varjão Bomfim comenta que o projeto técnico exerce papel decisivo na antecipação de cenários possíveis, mesmo quando não é viável prever todos os eventos futuros com precisão absoluta. Estudos aprofundados, investigações complementares, modelagens consistentes e análises de sensibilidade permitem à engenharia identificar pontos críticos, limites operacionais e comportamentos prováveis do sistema ao longo do tempo.

Essa antecipação não elimina riscos, mas organiza a tomada de decisão, oferecendo parâmetros técnicos claros para respostas rápidas e coerentes quando surgem imprevistos. Quando o projeto incorpora essa lógica, a execução deixa de ser um processo puramente reativo e passa a operar dentro de um campo de possibilidades previamente analisado e tecnicamente estruturado.

Em projetos complexos, a engenharia de infraestrutura precisa antecipar riscos e variáveis, como analisa Elmar Juan Passos Varjão Bomfim.
Em projetos complexos, a engenharia de infraestrutura precisa antecipar riscos e variáveis, como analisa Elmar Juan Passos Varjão Bomfim.

Flexibilidade técnica e capacidade de ajuste durante a execução

Segundo a leitura de Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, a capacidade de ajuste durante a execução é um dos principais indicadores de maturidade técnica de um projeto de infraestrutura complexo. Soluções excessivamente fechadas, que não admitem adaptações controladas, tendem a gerar custos elevados e conflitos operacionais quando confrontadas com condições não previstas.

A engenharia orientada à redução de incertezas busca estruturar projetos com flexibilidade técnica planejada, permitindo ajustes sem comprometer a integridade do sistema. Essa flexibilidade depende de escolhas conscientes, como modularidade construtiva, fases bem definidas e interfaces claras entre disciplinas, garantindo que mudanças ocorram de forma ordenada, segura e tecnicamente justificável.

Engenharia como base de decisões qualificadas sob pressão

Elmar Juan Passos Varjão Bomfim conclui que decisões tomadas sob pressão fazem parte da realidade de grandes projetos de infraestrutura, especialmente em contextos de alta complexidade técnica e institucional. A diferença entre decisões que preservam o empreendimento e aquelas que geram efeitos adversos está na qualidade da base técnica que as sustenta.

Quando a engenharia fornece informações consistentes, critérios objetivos e limites bem definidos, mesmo decisões rápidas tendem a manter coerência com os objetivos do projeto. Ao estruturar essa base técnica sólida, a engenharia reduz o impacto da incerteza sobre o desempenho do empreendimento, transformando um ambiente instável em um processo decisório mais previsível, controlado e tecnicamente responsável.

Autor: Yulia Sergeeva

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