Guia Salarial da Robert Half mostra que 44% das empresas brasileiras planejam ampliar equipes de tecnologia, mesmo com déficit de profissionais qualificados.
Quem trabalha ou pretende entrar na área de tecnologia tem motivos para acompanhar de perto os números mais recentes sobre o setor. Mesmo em um cenário marcado pela automação crescente e pelo avanço da inteligência artificial em tarefas que antes exigiam um time inteiro, o mercado de TI brasileiro segue em expansão. A pergunta que fica para quem observa esse movimento de fora é simples, com tanta tecnologia automatizando processos, por que as empresas continuam tão dispostas a contratar e ainda têm dificuldade para encontrar quem preencha essas vagas? A resposta passa por um descompasso entre a velocidade das mudanças tecnológicas e a formação de profissionais capazes de acompanhá-las, segundo levantamentos recentes do setor.
O que o Guia Salarial 2026 revela sobre contratação em TI
O retrato mais atualizado do setor vem do Guia Salarial 2026 da consultoria Robert Half, referência tradicional em recrutamento no Brasil. De acordo com o levantamento, 44% das companhias nacionais planejam expandir suas equipes de tecnologia, com destaque para áreas como segurança da informação, redes, infraestrutura e desenvolvimento de software e aplicações. Esse movimento não é uniforme entre os setores da economia. A pesquisa aponta que os segmentos que mais contratam atualmente incluem educação, indústria, mercado financeiro, óleo e gás e startups, justamente os ramos que vêm investindo pesado em tecnologia para ganhar eficiência operacional e reforçar a segurança de dados. IT ForumIT Forum
Outro dado relevante do guia mostra que o dinheiro continua sendo uma ferramenta de disputa por talentos. No Brasil, 48% dos gestores de contratação em tecnologia estão dispostos a oferecer salários mais altos para candidatos que possuem certificações ou conhecimentos especializados, o que confirma que especialização técnica ainda é um diferencial concreto na hora de negociar remuneração. A pesquisa também identifica uma mudança cultural duradoura no setor, já que o trabalho totalmente presencial deixou de ser padrão entre as empresas de tecnologia no Brasil, e a maior parte dos profissionais só voltaria ao escritório em tempo integral mediante incentivos salariais relevantes. Isso significa que flexibilidade de modelo de trabalho se tornou parte da negociação tanto quanto o salário em si. Robert HalfRobert Half
Por que falta gente qualificada mesmo com tantas vagas abertas
O paradoxo entre vagas abertas e dificuldade de contratação tem uma explicação estrutural. Segundo análise do setor, a velocidade das mudanças tecnológicas é maior do que a capacidade de formação de profissionais, já que recursos como inteligência artificial, automação e computação em nuvem chegam ao mercado antes de existir gente plenamente treinada para lidar com eles. O resultado prático é que companhias correm para adotar novidades tecnológicas, mas não encontram pessoas com experiência real nas ferramentas mais recentes, criando uma fila de vagas em aberto mesmo em momentos de alta procura por emprego. Invgate
Esse descompasso tem proporção significativa quando observado a médio prazo. Projeções da consultoria global McKinsey, citadas por especialistas do setor de segurança cibernética, indicam que o Brasil pode enfrentar um déficit de cerca de um milhão de vagas não preenchidas na área de tecnologia até 2030. Diante desse cenário, muitas empresas decidiram inverter a lógica tradicional de contratação e passaram a investir na formação interna de talentos, em vez de buscar exclusivamente profissionais já prontos no mercado. Essa estratégia, segundo executivos de empresas de tecnologia ouvidos pela imprensa especializada, surge como resposta direta à escassez de candidatos com experiência consolidada nas tecnologias mais novas, como segurança de dados e infraestrutura em nuvem. TI Safe
Quais cargos e habilidades estão em alta para quem quer crescer na área
Entre as posições com maior demanda projetada para os próximos meses, o Guia Salarial da Robert Half destaca analista de segurança da informação, analista de sistemas, arquiteto de software, desenvolvedor e gerente de produto como os cargos efetivos mais procurados pelas empresas brasileiras. Essa lista confirma uma tendência que já vinha se desenhando nos últimos ciclos, a de que segurança da informação deixou de ser uma área de suporte e passou a ocupar lugar central nas estratégias de contratação, em paralelo ao crescimento constante da demanda por desenvolvedores de software. IT Forum
Para quem está construindo carreira na área, o cenário sugere um caminho de dupla via. De um lado, vale investir em certificações reconhecidas pelo mercado, já que parte relevante dos gestores de contratação está disposta a pagar mais por esse tipo de qualificação. De outro, soft skills como comunicação e capacidade de trabalhar em times distribuídos ganham peso, na medida em que o modelo remoto e híbrido se consolidou como padrão no setor. Profissionais que conseguem somar conhecimento técnico atualizado com flexibilidade para se adaptar a novas ferramentas tendem a ter mais poder de negociação justamente no momento em que as empresas mais sentem a falta de mão de obra qualificada.
O quadro geral do mercado de TI brasileiro para 2026 mistura otimismo e alerta. Há vagas, há intenção real de contratação por parte das empresas e há disposição para pagar mais por quem tem o conhecimento certo. Ao mesmo tempo, o descompasso entre a velocidade da inovação e a formação de profissionais segue sendo o principal obstáculo do setor, o que deve manter a procura por capacitação técnica como uma das apostas mais seguras para quem quer entrar ou avançar na carreira de tecnologia nos próximos anos.
Fontes consultadas:
https://itforum.com.br/carreira/cargos-ti-em-alta-2026/
https://www.roberthalf.com/br/pt/insights/guia-salarial/tecnologia
https://blog.invgate.com/pt/mercado-para-ti
https://tisafe.com/5-cargos-de-ti-em-alta-em-2026/
Autor: Diego Rodríguez Velázquez