Brasil avança na construção da soberania tecnológica e consolida protagonismo em chips, dados e inovação digital

Yulia Sergeeva
By Yulia Sergeeva
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A soberania tecnológica do Brasil ganhou destaque ao longo de 2025 em um cenário global marcado por rivalidade geopolítica e rápida transformação digital. Ao longo do ano, o país intensificou políticas e investimentos que colocaram temas como chips, dados e inteligência artificial no centro das prioridades nacionais, consolidando estruturas que vão além do discurso e criam bases concretas para o desenvolvimento tecnológico autônomo. O governo federal, por meio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, ampliou o fomento a projetos estratégicos de tecnologia da informação e comunicação, sinalizando uma mudança de postura em relação à dependência histórica de soluções estrangeiras nesse setor.

Nesse contexto, a modernização regulatória e institucional ganhou expressão com ajustes na legislação de tecnologia da informação e comunicação, que permitiram maior previsibilidade para o mercado e para empresas que buscam inovar no Brasil. A capacidade de processamento nacional foi ampliada, e um grande número de solicitações de habilitação relacionadas a produtos tecnológicos foi analisado e concluído, o que resultou na publicação de diversas portarias que ampliaram o escopo de incentivos fiscais e reconhecimento de tecnologia desenvolvida no país. Esses movimentos refletem um esforço coordenado para acelerar a integração entre políticas públicas e demandas da indústria de tecnologia.

Ao longo de 2025, a modernização da gestão interna também foi uma peça-chave para dinamizar a atuação do Estado digital. A implementação de um sistema unificado de gestão da lei de informática otimizou processos administrativos que antes eram fragmentados, promovendo agilidade e transparência. A adoção de métodos ágeis de desenvolvimento e a automatização de fluxos de trabalho facilitaram não apenas a análise de propostas e autorizações, mas também a própria comunicação entre o Estado e os agentes envolvidos em pesquisa e inovação tecnológica.

Outro eixo de atuação foi o fortalecimento da infraestrutura de supercomputação e de redes de alto desempenho, essenciais para pesquisa avançada e para processamento de grandes volumes de dados. Projetos relacionados à definição e instalação de um novo supercomputador nacional e ao aprimoramento do Sistema Nacional de Processamento de Alto Desempenho foram acelerados, com apoio a centros de alto desempenho em várias regiões do país. Essas ações ampliam a capacidade do Brasil de realizar pesquisas de ponta em áreas complexas como modelagem climática, biotecnologia e inteligência artificial aplicada.

A presença internacional do Brasil em fóruns estratégicos também aumentou ao longo do ano. Representantes do país atuaram em discussões sobre padrões tecnológicos e redes colaborativas em plataformas como G20, BRICS e iniciativas binacionais voltadas à computação em nuvem e supercomputação. A articulação diplomática incluiu memorandos de entendimento com diversas nações em áreas que vão desde transferência de dados até cooperação em pesquisa tecnológica, reforçando a posição brasileira em debates que moldam o futuro da economia digital global.

No setor de semicondutores, que historicamente representa um ponto de vulnerabilidade para a cadeia de produção tecnológica nacional, houve ações voltadas à redução da dependência externa. Programas de incentivo fiscal e investimentos em pesquisa contribuíram para ampliar a participação brasileira na cadeia global de chips, ainda que o país importe a grande maioria dos semicondutores utilizados internamente. As perspectivas incluem a consolidação de iniciativas de pesquisa e desenvolvimento e a formação de um ambiente propício para inovação em microeletrônica.

Paralelamente, ações voltadas à formação de capital humano reforçaram a importância de capacitar profissionais para atuar em áreas estratégicas. Uma parte significativa dos recursos foi direcionada a programas de educação, treinamento e inserção de jovens em projetos tecnológicos, incluindo olimpíadas científicas e iniciativas que promovem a inclusão de estudantes em atividades de ciência e tecnologia. O fortalecimento desses programas sinaliza que o desenvolvimento de talento local é considerado tão vital quanto a construção de infraestrutura física e de políticas públicas.

No balanço geral, 2025 se consolidou como um ano em que o Brasil reforçou sua estratégia de autonomia tecnológica integrando políticas públicas, investimentos e cooperação internacional de forma coerente e progressiva. As ações realizadas ao longo do ano produzem impactos que podem ser vistos tanto na ampliação da capacidade produtiva e regulatória quanto na projeção do país em arenas globais de tecnologia. O resultado desse esforço tende a orientar prioridades futuras e a estabelecer um ambiente mais sólido para pesquisa, inovação e competitividade nacional.

Autor : Yulia Sergeeva

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