A escolha das bases de dados que poderão ser abertas pelo governo federal nos próximos anos entrou em fase de participação social. A Controladoria-Geral da União (CGU) abriu uma consulta pública para identificar quais conjuntos de informações do órgão são mais demandados pela sociedade e, por isso, podem receber prioridade no Plano de Dados Abertos 2026-2028.
O período para participação começou em 25 de setembro de 2026 e termina em 24 de outubro. De acordo com a Controladoria-Geral da União, as contribuições vão ajudar a orientar a abertura, a organização e a disponibilização de informações públicas para consulta e reutilização.
A iniciativa coloca no centro uma questão prática para quem utiliza dados governamentais: quais informações devem ser consideradas mais urgentes ou relevantes para acesso público? A resposta da sociedade poderá contribuir para a definição das bases que serão avaliadas como prioritárias durante o ciclo de planejamento válido de 2026 a 2028.
Como a consulta se relaciona ao Plano de Dados Abertos
O Plano de Dados Abertos é apresentado pela CGU como um instrumento de planejamento para colocar em prática a política de abertura de dados do Poder Executivo Federal. Na prática, ele organiza as ações relacionadas à identificação, à preparação e à disponibilização de bases que podem ser consultadas por pessoas e organizações.
Isso significa que a consulta não representa, por si só, a abertura imediata de todas as bases indicadas pelos participantes. O objetivo informado pela CGU é reunir informações sobre a demanda da sociedade para subsidiar a escolha das bases que poderão ser priorizadas no plano. A seleção final, portanto, está vinculada ao processo de elaboração do ciclo 2026-2028.
Ao tratar da abertura de dados como uma etapa planejada, a iniciativa também evidencia que a utilidade de uma base pública depende de mais do que sua simples publicação. A organização das informações e a forma como elas são disponibilizadas influenciam a possibilidade de consulta, análise e reutilização por diferentes públicos.
Quem pode se beneficiar de informações abertas
Bases de dados acessíveis podem ser utilizadas por jornalistas, pesquisadores, empresas, organizações da sociedade civil e cidadãos. Cada grupo pode buscar as informações para finalidades distintas, como acompanhar políticas públicas, produzir análises, elaborar indicadores ou desenvolver serviços digitais.
Para profissionais de tecnologia e desenvolvimento, dados públicos estruturados podem servir como insumo para pesquisas, ferramentas de visualização e aplicações voltadas ao acesso a informações. Esses usos são possibilidades associadas à política de dados abertos e não representam resultados específicos já atribuídos pela CGU à consulta.
O mesmo vale para o controle social. Quando informações públicas estão disponíveis para consulta e reutilização, elas podem apoiar análises independentes sobre a atuação do poder público. Jornalistas e pesquisadores, por exemplo, podem trabalhar com os dados para identificar padrões, comparar informações e produzir conteúdos baseados em evidências, desde que as bases ofereçam condições adequadas para esse tipo de uso.
Por que a participação importa
A consulta permite que a definição de prioridades considere a demanda de quem efetivamente procura informações do órgão. Em vez de depender apenas de uma avaliação interna, o planejamento pode incorporar indicações sobre quais bases são mais esperadas ou necessárias para a sociedade.
Esse tipo de participação também aproxima a política de dados abertos de problemas concretos enfrentados por seus usuários. Uma base pode ter valor para a transparência institucional, para uma investigação jornalística, para uma pesquisa acadêmica ou para o desenvolvimento de uma solução digital. A contribuição pública ajuda a revelar esses diferentes interesses.
Para acompanhar a iniciativa, os interessados devem observar o prazo divulgado pela CGU: as contribuições podem ser apresentadas entre 25 de setembro e 24 de outubro de 2026. O resultado da consulta servirá como subsídio para o Plano de Dados Abertos 2026-2028, que definirá as prioridades do órgão para o período.
A abertura de dados, nesse contexto, não é tratada apenas como uma tarefa técnica. Ela envolve decidir quais informações serão disponibilizadas, como serão organizadas e de que maneira poderão ser acessadas e reutilizadas. A consulta pública da CGU busca incorporar a visão da sociedade a essas escolhas.