Segundo o médico especialista em diagnóstico por imagem Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, receber um resultado BI-RADS 3 na mamografia costuma gerar dúvidas justamente por se tratar de uma categoria intermediária, que não indica normalidade absoluta, mas também não sugere suspeita elevada. Na prática, trata-se de um achado provavelmente benigno que exige apenas acompanhamento estruturado.
Compreender o real significado dessa classificação é essencial para reduzir a ansiedade e seguir o plano recomendado com confiança. Neste artigo, você vai entender quais alterações se enquadram no BI-RADS 3, por que a biópsia geralmente não é necessária nesse momento e como o controle em curto prazo funciona como uma estratégia segura de proteção à saúde da paciente.
O que caracteriza tecnicamente um achado como BI-RADS 3?
A classificação BI-RADS 3 é reservada para alterações que apresentam características visuais de benignidade, mas que ainda não podem ser consideradas definitivamente benignas sem a comprovação de estabilidade ao longo do tempo. O risco de malignidade nessa categoria é estatisticamente muito baixo, inferior a 2%. Em geral, enquadram-se nessa classificação nódulos de contornos bem definidos, assimetrias focais sem distorção arquitetural e grupos isolados de microcalcificações arredondadas.

Para o doutor Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, a decisão de classificar um exame como nível 3 exige análise minuciosa da morfologia da lesão. Quando o radiologista identifica uma imagem com altíssima probabilidade de benignidade, mas que surge pela primeira vez no histórico da paciente, a conduta mais segura é o acompanhamento. Essa estratégia evita que milhares de mulheres sejam submetidas a biópsias desnecessárias por alterações que, na grande maioria dos casos, jamais evoluirão para doença relevante.
Por que o monitoramento em seis meses é o caminho escolhido?
Diferentemente do rastreamento anual de rotina, o BI-RADS 3 exige controle em curto prazo, geralmente após seis meses. Esse intervalo é considerado suficiente para que a biologia da lesão demonstre seu comportamento. Se o achado for realmente benigno, ele permanecerá estável em tamanho, forma e densidade nesse período. A estabilidade radiológica é a evidência mais confiável de que não há atividade neoplásica no local.
Como destaca Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, se após o primeiro controle de seis meses a lesão permanecer inalterada, o acompanhamento costuma ser repetido em mais seis meses e, posteriormente, de forma anual. Após dois ou três anos de estabilidade absoluta, o achado pode ser reclassificado como BI-RADS 2, ou seja, benigno definitivo. Esse protocolo de vigilância ativa é reconhecido internacionalmente por equilibrar a detecção precoce com a prudência médica, garantindo segurança sem recorrer a intervenções invasivas desnecessárias.
Quando um resultado BI-RADS 3 pode mudar de categoria?
Embora a maioria das pacientes permaneça em zona de segurança, existe uma pequena parcela de casos em que a lesão pode apresentar modificações durante o acompanhamento. Conforme ressalta o doutor Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, qualquer aumento do nódulo ou mudança na morfologia das calcificações leva o radiologista a elevar a classificação para BI-RADS 4.
Nesse cenário, a biópsia passa a ser indicada para esclarecer a natureza da alteração. Essa mudança não representa falha do processo, mas sim o sucesso do monitoramento. Detectar uma modificação mínima durante o controle semestral ainda permite um diagnóstico extremamente precoce e mantém as chances de cura em níveis muito elevados. Por outro lado, quando a paciente não realiza o retorno no prazo recomendado, perde-se a principal vantagem da classificação BI-RADS 3, que é a vigilância segura e controlada.
Como lidar com o impacto emocional dessa espera?
A espera pelo primeiro controle de seis meses pode ser desafiadora, mas a informação correta é a melhor aliada contra a ansiedade. O doutor Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues orienta que a paciente se concentre no dado mais importante: a probabilidade de benignidade é de aproximadamente 98%.
O BI-RADS 3 não significa “quase câncer”, mas sim que o médico está adotando uma postura rigorosa de proteção. Contar com um especialista qualificado na interpretação do exame traz a segurança necessária para que esse período seja vivido com tranquilidade. O BI-RADS 3 na mamografia é uma ferramenta de gestão de risco que prioriza a observação científica em vez da intervenção precipitada.
Compreender que o acompanhamento é uma forma ativa de cuidado ajuda a reduzir a ansiedade gerada pelo laudo. O suporte de um serviço de diagnóstico por imagem de excelência e o compromisso da paciente com os prazos de retorno são os pilares do sucesso dessa estratégia. Em muitos casos, observar com método e precisão é a forma mais sofisticada de proteger a saúde e a integridade feminina.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez