Como o software de engenharia com IA pode transformar projetos de edifícios complexos

Redação Jornal Software
Por Redação Jornal Software
6 Min Read

Projetar edifícios complexos exige organizar grandes volumes de informações técnicas antes mesmo do início da obra. É nesse ponto que a inteligência artificial pode ganhar espaço no setor de construção civil. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou uma operação de R$ 25 milhões para financiar o desenvolvimento e a atualização de softwares da AltoQi, empresa brasileira especializada em soluções para engenharia.

O projeto prevê a incorporação de recursos de inteligência artificial generativa a ferramentas voltadas principalmente para edificações complexas e prédios de grande altura. A operação foi divulgada em 29 de setembro de 2026 pela Agência BNDES de Notícias.

O que será desenvolvido pela AltoQi

De acordo com o BNDES, os recursos serão direcionados ao trabalho de 68 profissionais, entre engenheiros de software, analistas de dados e desenvolvedores de sistemas. A composição da equipe indica que o projeto envolve tanto a evolução das aplicações já utilizadas por profissionais de engenharia quanto a criação ou integração de componentes capazes de trabalhar com dados e modelos mais avançados.

A proposta não é apresentada como uma substituição do trabalho de engenheiros e arquitetos. Na prática, ferramentas desse tipo podem apoiar a análise de informações, a identificação de inconsistências e a organização de etapas do projeto. A responsabilidade pelas decisões técnicas, pelos cálculos e pela aprovação de soluções continua vinculada aos profissionais habilitados.

Em empreendimentos de grande porte, uma alteração em um elemento estrutural ou em uma instalação pode afetar diferentes disciplinas do projeto. Por isso, a integração de dados em plataformas especializadas tende a ser relevante para localizar incompatibilidades antes que elas cheguem ao canteiro. Quando recursos generativos são adicionados a esse fluxo, a expectativa é facilitar consultas, análises e tarefas repetitivas, mas os resultados ainda precisam ser verificados por especialistas.

Por que edifícios altos exigem ferramentas especializadas

Projetos de grande altura e outras edificações complexas concentram desafios de coordenação. Estruturas, instalações elétricas, sistemas hidráulicos e demais componentes precisam ser planejados de forma compatível, respeitando requisitos técnicos e as características específicas de cada empreendimento.

Softwares de engenharia ajudam a reunir essas informações em um ambiente digital. Em processos que utilizam modelos tridimensionais e metodologias como o BIM, a representação digital da construção pode servir de base para análises e decisões ainda na fase de planejamento. Isso permite que equipes avaliem alternativas antes da execução, embora a qualidade do resultado dependa dos dados inseridos e da revisão profissional.

O financiamento anunciado pelo BNDES, portanto, está relacionado a uma etapa anterior à entrega de uma nova solução ao mercado. A instituição informou que o dinheiro será usado no desenvolvimento e na atualização dos softwares da AltoQi. Os eventuais ganhos de produtividade, redução de custos ou melhoria no planejamento são objetivos associados ao projeto, e não resultados já comprovados pela operação.

IA na construção civil avança em diferentes etapas

A iniciativa também ocorre em um momento de ampliação do uso de inteligência artificial em atividades ligadas à arquitetura e à engenharia. Em 9 de outubro de 2026, a Superintendência de Obras Públicas do Ceará informou a adoção de inteligência artificial para otimizar apresentações de projetos de arquitetura.

Os dois casos têm objetivos diferentes, mas ajudam a mostrar que a tecnologia pode aparecer em pontos distintos do ciclo de um projeto. Enquanto a operação apoiada pelo BNDES está voltada ao desenvolvimento de softwares de engenharia para edificações complexas, a experiência no Ceará se relaciona à apresentação de projetos arquitetônicos. Em ambos os cenários, a IA funciona como instrumento de apoio a processos que continuam dependendo de informações técnicas e avaliação humana.

Para empresas de construção, escritórios de engenharia e profissionais de tecnologia, o movimento reforça a importância de sistemas capazes de lidar com dados especializados. O desafio não está apenas em adicionar uma função de inteligência artificial, mas em incorporá-la a fluxos de trabalho nos quais precisão, rastreabilidade e segurança são essenciais.

O que muda para profissionais e empresas

Se as atualizações previstas forem implementadas conforme o projeto, engenheiros e equipes de planejamento poderão contar com novas formas de consultar e analisar informações de seus modelos e projetos. A possível automação de tarefas repetitivas também pode liberar tempo para atividades que exigem interpretação, tomada de decisão e validação técnica.

Para o mercado brasileiro, o desenvolvimento de uma solução nacional voltada a esse segmento pode aproximar recursos de IA das necessidades específicas de empresas que trabalham com projetos de engenharia no país. Ainda assim, a adoção deverá considerar treinamento, qualidade dos dados, compatibilidade com processos existentes e limites de uso em decisões que envolvam segurança estrutural.

O anúncio do BNDES representa, neste momento, o apoio financeiro ao desenvolvimento da tecnologia. Os próximos passos dependem da execução do projeto pela AltoQi e da evolução das ferramentas. Até que os recursos sejam incorporados e avaliados em aplicações reais, a inteligência artificial deve ser entendida como uma camada adicional de suporte ao trabalho técnico, e não como substituta da responsabilidade profissional em obras complexas.

Compartilhe esse artigo