Joel Alves

O erro que encarece a destinação de resíduos

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez
7 Min Read

Segundo Joel Alves, muitas prefeituras e empresas ainda enxergam a destinação de resíduos como uma linha de despesa inevitável, um valor que se paga todo mês sem muito espaço para questionamento. Esse enquadramento é justamente o que impede a maioria das operações de reduzir custos: quando a destinação adequada de resíduos é tratada como obrigação fixa, ninguém revisa contrato, rota ou fornecedor; o gasto simplesmente se acomoda no orçamento ano após ano.

O problema não está na obrigação em si, mas na forma como ela é gerenciada. Uma operação que trata resíduo como número fechado no fim do mês perde a chance de identificar onde o dinheiro está sendo desperdiçado: em rota mal planejada, em contrato genérico que não diferencia tipo de resíduo ou em multa evitável por descarte incorreto. É esse ponto que passa despercebido, mais do que o volume gerado, que costuma pesar mais no orçamento.

Tratar todo o resíduo como um só é um erro 

Grande parte das operações mistura, na prática, resíduos que deveriam seguir rotas e custos completamente diferentes. Papelão, entulho, resíduo orgânico e material contaminado têm valor de mercado, risco ambiental e exigência legal distintos entre si, mas frequentemente saem da mesma empresa ou prefeitura sob um único contrato genérico de coleta, negociado uma vez e renovado sem revisão ano após ano.

Esse agrupamento parece simplificar a gestão, só que faz o contrário: encarece o descarte de material que poderia ser vendido ou reaproveitado e dilui, dentro de uma única fatura, custos que deveriam ser negociados separadamente. Joel Alves reflete que separar contratos por tipo de resíduo costuma ser o primeiro ajuste capaz de reduzir gastos sem exigir nenhum investimento em tecnologia nova.

Por que o transporte pesa tanto na conta final?

O transporte costuma representar a maior parcela do custo total da destinação, muito mais do que a taxa cobrada no destino final. Dentre esse cenário, Joel Alves expõe que uma rota mal desenhada, caminhão parado esperando carga e distância excessiva até o ponto de destinação inflam o valor pago por tonelada, mesmo quando o contrato de disposição final em si é competitivo.

Ignorar o peso que essa parte da logística tem é um erro recorrente, porque o foco de negociação costuma recair sobre a tarifa do aterro ou da central de tratamento, deixando de lado a rota que leva o resíduo até lá. Renegociar frequência de coleta, consolidar cargas de diferentes pontos de origem e revisar o trajeto percorrido pelo caminhão reduz custo sem alterar em nada o contrato de destinação final propriamente dito.

Joel Alves
Joel Alves

O que muda quando a destinação vira processo monitorado?

Empresas e prefeituras que passam a acompanhar volume, tipo de resíduo e custo por rota, em vez de apenas pagar a fatura mensal, costumam identificar oportunidades de economia que passavam despercebidas há anos. Com isso, Joel Alves pondera que esse acompanhamento sistemático é a diferença real entre gestão reativa, que só reage à cobrança, e gestão de eficiência operacional, que antecipa o problema antes de ele aparecer na fatura.

O sinal mais claro de que uma operação está pagando mais do que deveria pela destinação de resíduos é a ausência de dado detalhado: se ninguém sabe dizer quanto custa cada tipo de resíduo separadamente, é provável que o contrato esteja diluindo ineficiências que passariam a ser visíveis com um controle mínimo por categoria. Esse controle não exige sistema caro; na verdade, uma planilha que separe volume, tipo e custo por rota já revela padrões que um contrato único jamais mostraria, e, a partir desse dado, negociar com fornecedores por tipo de resíduo vira conversa apoiada em número, não em intuição.

 

Até pouco tempo atrás, a destinação de resíduos era encarada quase exclusivamente como exigência regulatória: algo que existia para evitar multa, não para gerar economia. Essa visão ainda domina boa parte das operações menores, que seguem tratando o tema como item de conformidade e não como variável de gestão passível de otimização, no mesmo patamar de energia, água ou insumo.

A diferença entre as duas visões aparece justamente na hora de revisar contrato: quem trata resíduo como conformidade renova o mesmo acordo indefinidamente, enquanto quem trata como variável de gestão compara fornecedor, questiona rota e mede resultado a cada ciclo. Joel Alves demonstra que essa mudança de enquadramento, mais do que qualquer tecnologia nova, é o que separa operações que reduzem custo de operações que apenas pagam a conta.

Corrigir o erro custa menos do que mantê-lo

Revisar contrato, separar tipo de resíduo e mapear rota exige tempo de análise, mas o investimento é pequeno perto do que uma operação ineficiente acumula em desperdício ao longo de um ou dois anos. O maior obstáculo para essa correção não costuma ser técnico, e sim comportamental: mudar um contrato que já funciona, ainda que de forma cara, exige decisão ativa, enquanto manter o que está posto não exige nada.

Enquanto a destinação de resíduos continuar sendo tratada como custo fixo e inevitável, operações inteiras vão seguir pagando por um problema que já tem solução conhecida, só falta ser aplicada. Por fim, Joel Alves ilustra que o gasto que parece impossível de reduzir costuma ser, na maioria dos casos, apenas o gasto que ninguém parou para questionar.

Compartilhe esse artigo