Levantamento da ABES mostra que 40% das companhias do país já investem em agentes de IA, e outras 33% planejam começar em breve.
Um novo levantamento do setor de tecnologia confirma o que muitos profissionais de TI já vinham percebendo no dia a dia: os agentes de inteligência artificial deixaram de ser uma promessa distante e entraram de vez no planejamento de curto prazo das empresas brasileiras. De acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira das Empresas de Software, a ABES, 40% das companhias do país já realizam investimentos nesse tipo de tecnologia, enquanto outras 33% pretendem iniciar projetos semelhantes nos próximos doze meses. Os números fazem parte da segunda etapa do estudo “Mercado Brasileiro de Software, Panorama e Tendências 2026”, elaborado com dados da consultoria IDC e revelado em meados de junho. O documento ajuda a entender como o mercado de software nacional está se organizando diante da onda global de adoção de inteligência artificial generativa.
Agentes de IA lideram a agenda estratégica das empresas
Segundo o estudo, agentes de inteligência artificial e IA generativa lideram a agenda estratégica das companhias brasileiras para 2026, sendo apontados como prioridade por 53% dos executivos ouvidos na pesquisa. O conselheiro da ABES responsável pelo levantamento, Jorge Sukarie Neto, avalia que os agentes vêm ganhando espaço na automação de processos, na produtividade das equipes e até na criação de novos modelos de negócio dentro das empresas. Para ele, os dados mostram que as companhias brasileiras avançaram da fase de experimentação para a implementação prática da inteligência artificial, um movimento que reflete também uma tendência observada em outros países.
Apesar do avanço, o estudo reconhece que o uso de inteligência artificial em escala corporativa ainda enfrenta obstáculos relevantes. Entre os principais entraves citados estão a qualidade dos dados disponíveis nas empresas, a necessidade de modernizar sistemas legados, questões de governança, dificuldades de escalar projetos piloto e a escassez de profissionais especializados no tema. Esse último ponto tem preocupado especialmente empresas menores, que enfrentam mais dificuldade para competir por talentos qualificados em inteligência artificial e ciência de dados.
Logo atrás da adoção de agentes, o levantamento aponta segurança da informação e segurança em nuvem como a segunda maior prioridade das empresas, citada por 41% dos executivos. Inteligência artificial e machine learning aparecem na sequência, com 35%, enquanto infraestrutura de nuvem e big data e analytics dividem a quarta posição, ambos com 24% das menções. Essa distribuição sugere que, mesmo com o entusiasmo em torno dos agentes de IA, as empresas brasileiras seguem tratando segurança digital como uma preocupação paralela e igualmente urgente.
Um mercado de quase 200 bilhões de reais
Além da corrida por agentes de inteligência artificial, o estudo traz um retrato mais amplo do setor de software e serviços no Brasil. O país encerrou 2025 com mais de 40 mil empresas atuando nesses segmentos, que juntas movimentaram cerca de 35,4 bilhões de dólares, o equivalente a aproximadamente 180 bilhões de reais em conversão direta. O setor financeiro aparece como o maior consumidor de tecnologia no país, respondendo por 25,4% do mercado de software e serviços, seguido por serviços e telecomunicações, com 24,3%, e pela indústria, com 19,5%.
O levantamento também mostra que o ecossistema brasileiro de software segue concentrado em negócios de menor porte. Seis em cada dez empresas identificadas são microempresas, e quase 30% se enquadram como pequenas empresas. Médias empresas representam apenas 3,4% do total, enquanto grandes organizações correspondem a 2,3%. Essa característica ajuda a explicar por que a escassez de mão de obra especializada em inteligência artificial pesa de forma mais severa sobre negócios menores, que costumam ter menos capacidade de competir por salários e benefícios com companhias de maior porte.
Tecnologia ainda concentrada no Sudeste, mas com sinais de mudança
Outro ponto de destaque do estudo é a distribuição regional dos investimentos em tecnologia no país. A região Sudeste segue concentrando a maior parte dos aportes nacionais em TI, com 62,37% do total registrado em 2025, uma fatia menor do que os 65% que a região acumulava em 2012. As regiões Sul e Centro-Oeste aparecem na sequência, com aproximadamente 15% e 10%, respectivamente, enquanto o Nordeste soma 7,70% e o Norte fica com 3,12% dos investimentos.
Para o conselheiro da ABES, esses números mostram um mercado de tecnologia cada vez mais distribuído entre as regiões do país, ainda que de forma gradual. A leitura reforça uma tendência que vem sendo discutida há alguns anos no setor de TI: a de que polos tecnológicos fora do eixo Rio, São Paulo e Minas Gerais vêm ganhando relevância, muito em função da expansão do trabalho remoto e da descentralização das equipes de desenvolvimento dentro das próprias empresas brasileiras de software.
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